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24 de jan de 2016

Aspectos da Igreja Brasileira - Jonas Ayres

É de grande valia viajar no passado no do campo da espiritualidade dos aspectos da Igreja Brasileira. Pois, se queremos saber para onde este bonde vai, precisamos saber de onde ele veio. O que ficou patente é que a espiritualidade de nossa nação é uma religião sincrética que misturou deste do período Colonial Brasileiro, o Animismo Indígena, o Catolicismo Ibérico e Religiões Africanas (dos escravos).

Este mix sincrético deu em um coquetel mágico sincrético, saboroso para todos aqueles que não têm compromisso com o Evangelho genuíno de Jesus. A chegada do Protestantismo no Brasil, não conseguiu mudar a realidade do paladar espiritual da nação, haja vista, estarem todos “viciados” neste “coquetel mágico sincrético” e também devido a sanções dos governos em alguns momentos.


A mudança deste paradigma começa (não uma mudança no sentido bíblico), com a chegada das Igrejas Pentecostais, com ênfase nos dons espirituais, em especial a glossolalia (línguas estranhas). Interessante é o aspecto de que algo parecido acontece com frequência nas Religiões Africanas – vejo aí, em minha humilde opinião, um paralelo para o rápido crescimento deste seguimento religioso cristão na classe menos privilegiada, onde a saúde é precária (por isso dons de cura), e o místico e supersticioso é valorizado, devido ao vício do coquetel mágico sincrético que está no sangue de nossa nação. Porém, o aspecto negativo dos “usos e costumes” que estas Igreja Pentecostais impuseram sobre seus membros, fez com que houvesse grande evasão para outras igreja mais liberais nos últimos tempos. O grande boom aconteceu com a chegada das chamadas Igrejas Neopentecostais. Agora temos tudo do Pentecostalismo sem os usos e costumes. Mudança de paradigma: do “ser espiritual” é coisa para gente pobre e ignorante, para o “ser espiritual” é coisa de quem é próspero!

Usando as Teologias Norte-americanas (heréticas) da Prosperidade, Confissão Positiva (eu decreto, eu tomo posse) e Retribuitiva Financeira (baseado apenas no Antigo Testamento das Escrituras Sagradas), juntamente com Marketing, Evangelismo Multimídia, sem esquecer é claro do antiquíssimo coquetel mágico sincrético, que promete resolver todos os problemas existências, tais como: enfermidades incuráveis, dívidas, falta de “sorte” no amor, somados as promessas de enriquecimento a curto prazo – temos aí a plataforma da religião que mais cresce hoje em nossa nação!

Vejo que com o aumento do pensamento pós-moderno, com perdas de referenciais absolutos, com o hiperconsumismo, o hedonismo e a vida de imediatismo em que vivemos somados a globalização – a tendência no Aspecto da Igreja Brasileira é acrescentar, cada dia mais, algum ingrediente em nossa tão antiga “bebida espiritual”, no nosso “coquetel mágico sincrético”.

Fica difícil não ser bíblico ao final de meus apontamentos, pois vejo que estamos vivendo no tempo de absoluta apostasia cristã, como bem nos alertou as Escrituras Sagradas. Em se tratando do nosso país, temos visto um salto no percentual do crescimento “evangélico”, porém a realidade é um crescimento do neopentecostalismo, infelizmente. Até mesmo Igrejas da Reforma se deixaram embriagar-se pelo dito coquetel, talvez pelo decréscimo no rol de membros, ou por permitir um crescimento a qualquer preço.

Como este segmento religioso (neopentecostal) detém o poderio midiático, de bancada política e das massas, fica muito difícil uma mudança no Aspecto da Igreja Brasileira.

Como Igreja Reformada, devemos buscar se reformar novamente e responder de forma firme que esta bebida que estão oferecendo não mata a sede espiritual de ninguém e ao longo prazo só traz prejuízos de toda monta. Na realidade o grande trânsito religioso hoje em nossas igrejas, incluindo as neopentecostais, vem demostrando esta realidade. Também o grande contingente de pessoas que passaram por estas igrejas neopentecostais, e que hoje não querem nem ouvir falar de igreja alguma (devido a explorações financeiras e abusos espirituais, talvez), faz somar o ceticismo em referência a Igreja como um todo.

Penso que precisamos responder a essas demandas existências das pessoas, precisamos orar por cura, pela vida sentimental, por prosperidade, por problemas conjugais, enfim por tudo – de forma individual e comunitária, porque Cristo o fez e observo que foi um aspecto por longo tempo negligenciado pelas Igrejas da Reforma e isso nos custou caro. Preocupamo-nos demais apenas com a alma/espírito e no além-túmulo, e nos esquecemos de que temos que apresentar o corpo todo íntegro ao Senhor para sua vinda todos os dias (1 Ts 5:23).

Devemos com ousadia, demostrar para as pessoas que se elas não beberem da verdadeira bebida espiritual que é Jesus Cristo, a Água Viva, sempre terão sede (João 4:14). Devemos ser uma contracultura ao neopentecostalismo, mas sem esquecer que nossa missão além de ser transformacional, deverá ser missional, integral, mais holística, se quisermos sobreviver nestes tempos. Devemos falar do novo Céu e da Nova Terra, mas multiplicar os pães e os peixes, curar os enfermos, expelir os demônios também, ou seja, dar o Evangelho todo, para todo homem e para o homem todo!

A tarefa é hercúlea, que Deus nos ajude nesta empreitada!
Fonte: NAPEC

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