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17 de mai de 2014

Entre os Shows Gospel e a Igreja Perseguida - Roberto Cruvinel

O texto, apesar de antigo (mais de 5 anos), reflete a atualidade.

Entretenimentos gospel estão engolindo a atenção do público evangélico ao sofrimento dos cristãos em países comunistas e muçulmanos? 

Pelo segundo ano consecutivo, participei do evento da VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã), em Campina Grande, Paraíba em 2009. A VINACC ficou famosa por ter sido violentada em seu direito de livre em expressão, pois sua campanha de outdoors em defesa da família foi proibida por pura queixa e preconceito de grupos homossexuais fanáticos em 2007.

Os esforços da VINACC para conscientizar a população são muito importantes. Sem conscientização, um povo é tragado por forças culturais destrutivas. Aliás, em sua Palavra Deus diz que seu povo é destruído por lhe faltar o conhecimento.

Sem uma conscientização forte e sistemática, o povo evangélico não compreenderá o perigo que representam os projetos de lei anti-“homofobia”. Pude comprovar isso no próprio evento da VINACC. Fiz todo empenho para que a Missão Portas Abertas (PA), do Irmão André, estivesse presente no evento.
Sempre tive carinho por PA. Foi lendo as revistas da PA em 1981 que tomei consciência do sofrimento dos cristãos inocentes perseguidos em países comunistas. Foi aí, em grande parte, que fui educado a encarar o comunismo e seus derivados (socialismo, Teologia da Libertação, Teologia da Missão Integral, etc.) como ameaça satânica ao Cristianismo.

Por isso, muito me alegrou ver PA com a oportunidade de estar no evento da VINACC, que durou uns 7 dias de fevereiro de 2009, com um público aproximado de 80 mil pessoas. Um número impressionante para os padrões do Nordeste.

Portas Abertas fez apelo a toda essa multidão, para que fizessem assinatura da sua revista, que informa sobre o sofrimento dos cristãos perseguidos ao redor do mundo. O custo da assinatura anual era apenas 35 reais. Contudo, a resposta foi excepcionalmente intrigante: de 80 mil pessoas, apenas três fizeram assinatura no stand da PA na VINACC, conforme informação que os próprios líderes da PA ali presentes me deram na última noite do evento.

Esse número baixíssimo de evangélicos interessados no sofrimento de cristãos de outros países revela de forma assustadora como a seriedade e atenção do público evangélico foram capturadas e redirecionadas para outros objetivos.

Se um cantor ou cantora gospel de fama nacional se apresentasse ao vivo no evento da VINACC com mil de seus CDs para vender, mesmo que ao preço de 35 reais, faltariam compradores? Provavelmente faltariam CDs! Quanto ao mercado gospel, quem é que liga se um cantor gospel que adulterou e abandonou a esposa e filhos para casar com a amante consegue facilmente faturar 10 mil reais num único show? O importante para o público é que o show deve continuar.

Para mim, o episódio da PA na VINACC foi profético. Como um povo que não se interessa pela perseguição de cristãos de outros países se importará com as ameaças ao Cristianismo no próprio Brasil? Leis anti-“homofobia”, que agridem violentamente a fé e a própria segurança dos cristãos, estão chegando ao Brasil — e ainda nem aprendemos primeiramente a sofrer com os cristãos que sofrem em países comunistas e muçulmanos.

Esse episódio me mostrou que os cristãos brasileiros não estão devidamente despertos, preparados e conscientizados para a perseguição que está vindo.

Mesmo sem nenhuma lei anti-“homofobia” aprovada, alguns cristãos brasileiros estão sob pressões tremendas. Mesmo sem nenhuma lei anti-“homofobia” aprovada, o Rev. Ademir Kreutzfeld, de Santa Catarina, foi vítima do ativismo legal gay, onde um tribunal foi usado para ameaçá-lo em 2007. Sem demora ele me procurou, e pude preparar artigos nacionais e internacionais que provocaram uma pressão positiva contra as forças gays hostis que estavam tentando engolir um dedicado pastor luterano que ousou confrontar a agenda gay em sua localidade.

Mesmo sem nenhuma lei anti-“homofobia” aprovada, estou sob pressões do Ministério Público Federal. É claro que, por enquanto, essas pressões não se igualam, nem de longe, às torturas e martírios que os cristãos sofrem na Coréia do Norte e outros países com governos totalitários.
Entretanto, se o povo evangélico brasileiro mal consegue mostrar atenção a esses casos mais pesados, como conseguirá se preocupar com a perseguição que está chegando ao Brasil?

Enquanto Roma estava em chamas, o imperador Nero tocava harpa e culpava os cristãos. Hoje, enquanto as chamas da paranóia anti-“homofobia” ameaçam devorar a sociedade e os cristãos numa absurda orgia de perseguição, os cristãos estão absortos em shows e outros entretenimentos gospel. É a síndrome do Nero gospel invadindo as igrejas e condenando os cristãos à indiferença diante do tsunami da agenda gay, do aborto, do feminismo, do intervencionismo estatal xiita, das leis anticristãs, etc.

Diante de tantas ameaças, os cristãos brasileiros estão reagindo como o resto do Brasil, que está dormindo em berço esplêndido. O que acontecerá se eles não despertarem de seu sono gospel?

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