Pesquisar neste blog

6 de abr de 2013

Conselhos Para Uma Vida Dedicada à Salvação das Almas - Richard Baxter

Que seu coração seja afetado pela miséria da alma de seus irmãos; que você tenha compaixão deles;
que você deseje ardentemente que eles se convertam, e que seu coração esteja voltado a só fazer o bem para eles, isso estabeleceria um trabalho para você, e o Senhor, usual-mente, abençoa essa empreitada. Pegue todas as oportunidades possíveis para conversar em particular com eles sobre o estado em que se encontram a fim de instruí-los e ajudá-los a conseguir a salvação [...] Inicie o trabalho sinceramente e com as intenções corretas. Permita que seus fins sejam a glória de Deus na festa da salvação. Faça isso não para ganhar um nome, ou estima, para si, nem para fazer com que os homens dependam de você. [...] Mas certifique-se de que o objetivo principal é recuperá-los da miséria e trazê-los ao caminho do descanso eterno. [...] Aqueles que fazem isso com compaixão e com amor delicado para com a alma dos homens são os que fazem isso em obediência a Cristo, o mais dedicado de todos, amante apaixonado das almas; os que imitam o Salvador quanto à medida e ao local, que vieram para buscar e salvar os que estavam perdidos. Faça isso o quanto antes; como se você não quisesse que eles atrasassem o retorno deles; assim, não se atrase em sua busca para fazê-los retornar. [...] 


Atrasar sua responsabilidade é uma demonstração de grande desobediência, embora você a desempenhe depois: isso é demonstração de um coração doente e indisposto para o trabalho. Quantos pobres pecadores perecem, ou criam raízes, praticamente incuráveis, no pecado, enquanto nos propomos a buscar a recuperação deles! As oportunidades não duram para sempre. [...] Que a sua exortação proceda da compaixão e do amor, e que a forma como a demonstra demonstre claramente à pessoa com quem lida de onde ela procede. A forma promissora para trabalhar na mudança de um homem não é por meio do sarcasmo, do desprezo, ou da reprovação; tampouco, a forma correta para convertê-lo a Cristo não é por meio das afrontas ou da humilhação com palavras de desgraça. Os homens consideraram seus inimigos os que os tratam dessa forma, e as palavras de um inimigo não são muito persuasivas. Portanto, deixe de lado sua paixão, e pegue a compaixão, e vá ao encontro dos pecadores com lágrimas nos olhos para que eles vejam que você realmente lamenta, de forma genuína, o caso deles. Lide com eles com súplicas humildes e sinceras. Deixeos ver que o único desejo de seu coração é fazer-lhes o bem. Deixeos perceber que você não tem qualquer outra finalidade senão buscar a felicidade eterna deles; e que o que o leva a falar é saber o perigo que eles correm, o amor que você tem pela alma deles. [...] Sei que é Deus quem muda o coração dos homens, mas também sei que Deus trabalha por nosso intermédio, e que, quando ele real-mente quer persuadir os homens, ele geralmente provê os melhores meios para cada caso e impulsiona homens a argumentar com eles de forma convincente e, assim, entra com sua graça e torna essa empreitada bem-sucedida. Certamente, aqueles que já tentaram podem lhe dizer, por experiência própria, que não há caminho mais convincente para os homens que o do amor e o da compaixão. [...]

Outro conselho que lhe daria seria este: faça tudo com toda clareza e fidelidade; não use atenuantes nem esconda dos homens suas misérias, o perigo que correm, ou qualquer outro fato relevante para eles; não torne o pecado deles menor do que realmente é, nem abrande sua linguagem para falar sobre eles; não os encoraje a ter uma esperança, ou fé, vã, da mesma forma como não desencorajaria as esperanças sadias dos retos. Se você perceber que o caso deles é perigoso, diga-lhes claramente isso. [...] Ficar dando voltas, à distância, não é o que os ajudaria na conversão. [...]

E da mesma forma que você precisa fazer isso de forma clara, também precisa agir com seriedade, zelo e eficácia. Tal é a natureza da tremenda estupidez e do entorpecimento do coração dos homens que nenhuma outra forma de agir produzirá efeito. Você precisa gritar para fazer com que os homens despertem desse desfalecimento ou abandonem essa letargia. [...] Portanto, se for para você lhes fazer o bem, é preciso que afie sua exortação, direcione-a e acompanhe-a até o coração deles, até que eles despertem e comecem a olhar a sua volta. Deixe-os saber que você não fala com eles sobre coisas indiferentes. [...] Trabalhe para que os homens saibam que é loucura zombar da salvação ou da condenação, e que não se deve brincar com o céu e o inferno, nem ignorar esse assunto ao dedicarlhe apenas alguns pensamentos indiferentes. [...] O que você acha? O mundo se consume; seus prazeres se desbotam, suas honras o abandonam; seus lucros provar-se-ão inaproveitáveis para vocês; o céu ou o inferno está logo ali adiante de você; Deus é justo e zeloso; as ameaças dele são verdadeiras; o grande dia de seu julgamento será terrível; você já tarda; seu tempo de vida se escoa rapidamente; sua vida é incerta; você já se demora o bastante; seu caso é perigoso; sua alma está imersa no pecado; você é um estranho para Deus; sua mente está cauterizada por causa dos maus hábitos; você não tem garantia de perdão para mostrar; como você está despreparado para morrer amanhã; e com que terror sua alma abandonará seu corpo! E diante de tudo isso, você ainda se demora? Oras, considere isso: Deus agüenta tudo isso enquanto espera que você se detenha em seu lazer; a paciência do Senhor tolera, e sua justiça refreia-se; e sua misericórdia suplica a você; Cristo está ali para oferecer-lhe seu sangue e seus méritos; você pode tê-lo gratuitamente e morar com ele; o Espírito persuade você, e sua consciência o acusa e o insta a aceitá-lo; os ministros oram por você; e o chamam; Satanás está à espreita para que possa ter você, quando a justiça colher sua vida. Este é o seu tempo: agora ou nunca. O quê? Você prefere perder o céu que seus lucros ou prazeres? [...] Ó amigo, o que você acha dessas coisas? Deus o fez ser humano, e o dotou de razão, e você nega sua razão onde mais deveria usá-la? Você deve lidar assim, des-sa forma séria e direta, com os homens. [...] Confesso que falhei muito em relação a isso; que o Senhor não me cobre por isso. A relutância em desagradar aos homens nos leva a destruí-los.

No entanto, aconselho-o a fazer isso com prudência e discrição. Seja tão sério quanto possível, mas com sabedoria; e seja especial-mente sábio na escolha dos seguintes aspectos: escolher o momento mais oportuno para sua exortação; não tratar com os homens enquanto agem sob o impulso da paixão, quando estão alcoolizados, ou em público, quando podem considerar sua exortação uma desgraça. Os homens devem observar quando os pecadores estão mais aptos a ouvir instruções. Medicamentos não devem ser ministrados a todo momento, mas na época apropriada. A oportunidade favorece todo trabalho. [...] Ademais, os meios funcionam perfeitamente, se você aproveitar a oportunidade; quando a terra está ma-cia, o arado a perfura. [...] A fidelidade dos cristãos realmente exige não só que façamos o bem quando ele cai em nosso caminho, mas também que procuremos oportunidades para fazer o bem. Seja sábio também ao ajustar sua exortação à pessoa e ao temperamento dela. [...] Nem todos suportam o tratamento mais duro. É preciso amor, e sinceridade, e seriedade para com todos. [...] Seja sábio também ao usar a expressão mais adequada; [...] se você reveste a verdade mais bela e cordial com a violência sórdida da linguagem imprópria, fará com que os homens a desprezem como algo monstruoso e deturpado, embora seja fruto de Deus, e sua natureza, a mais sublime.

Permita que todas suas reprovações e exortações sejam apoiadas pela autoridade de Deus. Permita que os pecadores se convençam que você não fala por você mesmo, nem se fundamenta em suas próprias idéias. [...] Quanto mais Deus aparecer em nossas palavras, mais eles a aceitarão. [...] Eles podem e devem rejeitar suas palavras, mas não ousariam rejeitar a palavra do Altíssimo. Portanto, certifique-se de que eles saibam que você não fala nada senão aquilo que Deus falou primeiro.

Você também precisa ser constante nessa responsabilidade de exortação junto aos homens; não basta uma ou duas vezes para que a verdade de Deus prevaleça. [...] Se eles não forem acompanhados, logo se esfriam novamente. Fadigue os pecadores com suas súplicas amorosas e sinceras; acompanhe-os e não permita que eles tenham descanso em seu pecado. Essa é a verdadeira caridade, e essa é a forma de salvar a alma dos homens; e uma atitude que lhe trará conforto toda vez que a rever.

Lute para trazer toda a exortação a um ponto específico; não se atenha ao trabalho feito, mas busque o sucesso, e objetive o fim em todas suas falas. [...] Portanto, trabalhe para direcionar todas suas falas para o assunto desejado. Se você estiver reprovando um pecado, não cesse até que o pecador lhe prometa que abandonará esse pecado e evitará as oportunidades que propiciam que ele caia em tentação; se você o estiver exortando a realizar uma responsabilidade, estimule a pessoa a prometer-lhe que a fará. Se você leva as pessoas para Cristo, [...] não as abandone até que elas admitam a necessidade que têm de Cristo, bem como de mudança na vida que levam, e até que elas lhe prometam se aproximar da utilização desses meios. [...]

Por fim, certifique-se de que seu exemplo, bem como suas palavras, possam servir como exortação. Permita que as pessoas vejam que você realiza, de forma constante e consistente, as responsabilidades que as persuade a realizar; permita que elas vejam em sua vida a diferença entre você e os pecadores, e a maravilha de sua vida em relação à do mundo, a vida que você as persuade a levar em seus discursos. Permita que elas vejam seu trabalho constante em favor do céu, e que você realmente acredita naquilo que quer que elas acreditem. Se você fala para as pessoas sobre as admiráveis alegrias do céu, mas, na verdade, não faz nada a não ser se escravizar em relação ao mundo, e luta para ficar rico, ou tem a tendência a discutir com seu próximo por causa de bens terrenos, como qualquer outra pessoa o faria, quem acreditaria em você? Ou quem seria persuadido por você para buscar as riquezas eternas? [...] Não permita que os homens vejam seu orgulho, enquanto os exorta para que sejam humildes; nem que sua consciência fique insensível em relação a algo, enquanto gostaria que eles fossem sensíveis em relação a algum outro aspecto. Uma vida inocente é uma reprovação constante, contínua e poderosa ao iníquo; e a prática constante de uma vida santa e consagrada causa constante inquietação à consciência comum, além de ser uma constante solicitação para que ele mude o curso de sua vida. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário