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14 de nov de 2012

A Certeza da Salvação Não Deve Tornar-nos Inúteis na Obra de Deus

"Portanto, resta ainda um descanso para o povo de Deus." Hb 4:9

Para uma compreensão ainda mais clara desse descanso, você precisa saber que há algumas coisas necessariamente pressupostas nele.

Todas estas coisas são pressupostas nesse descanso: A pessoa em movimento, em busca de descanso[...] como o movimento corretamente ordenado, tão constante e firme para que se possa alcançar o fim. Se não pusermos força no arco, a flecha não alcança a marca; o mundo preguiçoso, que pensa muito, descobrirá, a um alto preço, isso um dia. Os que acham que menos trabalho poderia servir a esse fim reprovam a Cristo por nos fazer realizar tantas coisas. Aqueles que foram mais santos, cuidadosos e pacientes para alcançar a fé e a segurança acham, quando estão prestes a morrer, que realizaram muito pouco. Observamos diariamente os melhores cristãos, quando à beira da morte, arrependerem-se por sua negligência; mas jamais observei alguém se arrepender de sua santidade e de seu zelo. [...] Se o caminho para o céu não for mais árduo que o mundo imagina, então Cristo e seus apóstolos não conheciam o caminho, ou, então, eles nos enganaram. [...] Se alguma alma alcançar a salvação da forma comum, desleixada e fácil do mundo, então diria que esse caminho é mais curto que o que Deus, por meio das Escrituras, revelou aos filhos dos homens. [...] Deus conhece o caminho melhor que eles, e sua Palavra é o meio verdadeiro e infalível para descobri-lo.


Também vi essa doutrina ser ignorada com desdém por pessoas que dizem: "O quê? Você quer dizer que nós devemos trabalhar para alcançar o céu? Nossa obediência contribui para algo? Cristo já não fez tudo? Isso não o torna um Salvador incompleto? E isso não é o mesmo que pregar a Lei?". Em resposta a esses questionamentos, devo dizer o que representa pregar a Lei de Cristo; é pregar a obediência a Cristo. Cristo fez e fará toda a obra e, portanto, é o Salvador perfeito, mas, mesmo assim, deixa algo para que nós façamos. Ele pagou todo o preço e não deixou nada para que nós pagássemos; no entanto, ele jamais teve a intenção de que seu resgate nos pusesse em uma condição absoluta, imediata e pessoal em relação à glória, isso em relação à lei, e muito menos que tomássemos posse imediata dela [...]. Ele comprou a coroa para conferi-la apenas mediante a fé, aos que negam a tudo por ele, sofrem com ele, perseveram e vencem. [...] O que salva não é apenas a oferta do Salvador, mas o recebê-lo; não é apenas o sangue derramado de Cristo que salva plenamente, mas o lavar-se nesse sangue; tampouco Cristo nos leva para o céu em uma cadeira segura [...]. Nossa justiça, que a lei das obras exige e por meio da qual é satisfeita, está totalmente em Cristo, e sabemos que nem um grão dela está em nós; tampouco devemos ousar pensar em costurar juntas a justiça legal de Cristo e a nossa; ou seja, achar que nossas ações podem ser a menor parte da satisfação por nossos pecados, ou ter algum mérito inerente. Contudo, nós devemos cumprir pessoalmente as condições da nova aliança e, dessa forma, ter uma justiça pessoal e evangélica, ou jamais ser salvo pela justiça de Cristo; portanto, não diga que não se refere à obediência, mas a Cristo; pois é Cristo em uma forma de obediência. Como a obediência não dispensa Cristo, também Cristo não pode dispensar a obediência.

E esse movimento deve ser firme, como também [deve ser] constante; ou ele ficará aquém do descanso. Começar pelo Espírito e acabar pela carne, isso não levará os santos a alcançar seu fim. A certeza para a perseverança dos santos não torna inútil a admoestação para a constância; homens, tão santos quanto os melhores de nós, caíram [...]. Até mesmo os discípulos de Cristo receberam ordens para continuar no amor de nosso Salvador, e isso se alcançaria por meio do guardar seus mandamentos e do permanecer nele, e da permanência de sua Palavra neles, como também da permanência de Cristo neles. [...]

Pressupõe-se também que para a obtenção desse descanso é preciso ter um intenso desejo por ele. O movimento da alma não é aquele que pede violência ou coação--ninguém pode forçar esse movimento --, mas é algo natural, de acordo com nossa nova natureza. Como tudo se inclina a seu próprio centro, também a criatura racional é carregada em todo seu movimento, por meio do qual deseja alcançar seu fim. Esse fim é a primeira coisa a que se almeja, e a que mais se deseja, embora seja a última a ser obtida. Observe esse fim e acredite nele, seja você quem for; jamais houve uma alma que tenha conseguido tornar Cristo e a glória seu principal fim, nem que tenha alcançado o descanso com Deus, se seu desejo não estivesse depositado nele, e esse desejo estivesse acima de todas as demais coisas existentes no mundo. Primeiro, Cristo traz o coração da pessoa para o céu, e só depois a pessoa. [...] Todo aquele que verdadeiramente se deleitou em Deus por intermédio de Cristo mais que em todas as outras coisas do mundo alcançará esse descanso; e todo aquele que desejou ter qualquer outra coisa não o alcançará, a menos que Deus o transforme. É verdade que o que resta de nossa velha natureza enfraquecerá muito esse desejo e o obstruirá, mas jamais o vencerá. O movimento apaixonado de nossos desejos é, com freqüência, mais forte em relação às coisas inferiores e sensoriais; mas a vontade ou escolha deliberada, nosso desejo racional, é principalmente proveniente de Deus. 

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