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21 de set de 2012

Alguns Preparativos Para Nosso Descanso Eterno - Richard Baxter

A terceira parte deste prólogo ao descanso dos santos é o processo público e solene em seu
julgamento, do qual eles devem primeiro ser inocentados e justificados; e, depois, com Cristo, julgar o mundo. Público, posso muito bem dizer isso, pois todo o mundo deve comparecer a ele: jovens e velhos de todas as posições sociais e de todas as nações devem ali comparecer e receber seu julgamento. O julgamento deve ser estabelecido; e os livros, abertos; e o livro da vida, apresentado [...]. Ó, que dia aterrador! Ó que dia jubiloso! Terrível para aqueles que permitiram que sua lâmpada apagasse e não ficaram atentos, pois se esqueceram da vinda de seu Senhor! Jubiloso para os santos, cuja espera e cuja esperança era ver esse dia. Naquele momento, o mundo verá a bondade e a severidade do Senhor; aos que perecem, severidade; mas aos escolhidos, bondade, quando todos terão de prestar contas de sua administração. [...] Pecador, já passou o tempo em que Cristo pediria, mas você não ouviria [...]. Naquela época, ele o seguia, em vão, com súplicas [...]. Pecador, não seja leviano, pois assim como você viveu, também verá aquele dia, exceto se uma minuciosa transformação, ao aceitar a Cristo, previna isso. [...] Pobre e descuidado pecador, não acho que disse muito para você aqui; pois minha responsabilidade é renovar os santos; mas se essas linhas caírem em suas mãos e você dignar-se a lê-las, eu, aqui, recomendo que você, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, apresse-se para ficar sozinho e ponderar muito sobre essas coisas. Pergunte ao seu coração: "Isso é verdade, ou não; haverá um dia como esse, e eu o verei? O que eu farei naquele momento? Por que continuar a gastar o tempo com coisas inúteis? Já não é tempo de que me certifique de que tenho Cristo e seu conforto? Já não deveria ter feito isso há muito tempo? Devo, após perder tanto tempo, sentar-me inerte mais um dia?" [...] Ó, pense nessas coisas! Algumas horas melancólicas gastas com essa séria antecipação é uma prevenção barata; ou isso vale a pena, ou não vale nada! [...]


Mas, ó alma humilde e graciosa, por que estremecer? [...] O Senhor não conhece seu rebanho que ouviu sua voz e o seguiu? [...] Ele, cuja primeira vinda não foi para "condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele" (Jo 3.17), assim tenho certeza, não tem a intenção de condenar seu povo, mas sim quer que este seja salvo por meio dele. Ele já nos deu vida eterna por título e por posição e também, sim, já tomamos, parcialmente, posse dela; e ele nos condenará depois disso? Quando ele nos deu a possibilidade de conhecer a seu Pai e a si mesmo, ele nos deu a vida eterna. [...] Se nosso juiz era nosso inimigo, como ele é para o mundo, então poderíamos muito bem temer; pois nosso Juiz é Cristo, aquele que morreu, bem, melhor dizendo, aquele que ressuscitou e faz petições a nosso favor. [...] Que alegria inexprimível isso representa para o crente: de que nosso querido Senhor, que ama nossa alma, e quem nossa alma ama, será nosso Juiz! [...] Cristãos, ele veio ao mundo, e sofreu, e chorou, e sangrou, e morreu por você, e agora ele o condenará? [...] Sua salvação custou-lhe tão caro, para agora ele o destruir? Ele já fez o máximo para o mundo, ao redimir, regenerar, santificar, justificar, preservar e aperfeiçoar você, e agora ele desfará tudo isso novamente? Ele não acabará o que já começou? [...] Este é o dia da justificação plena do crente. Eles já foram justificados antes, e considerados justos e, pela fé, justificados na Lei; e isso, para alguns, foi evidenciado à consciência deles. Mas agora eles devem, por defesa, manter-se justo e, por sentença, declarados realmente justos pela voz vigorosa do Juiz; e esta é a mais perfeita justificação. Portanto, aquele momento pode ser chamado de tempo de refrigério, pois, para os santos, é a conclusão de todos os refrigérios anteriores. [...] A sentença de perdão, proferida pelo Espírito e pela consciência que habitam em nosso interior costumava ser extremamente doce; mas isso resolverá a questão de uma vez por todas e, para todo o sempre, não deixará espaço para novas dúvidas. [...] E, agora, não basta isso para tornar aquele dia um dia bem-vindo aqui, e o pensar nele algo que nos deleita? [...] Mas ainda há mais. Devemos ficar muito distantes do temor desse julgamento, pois nós mesmos seremos os juízes! Cristo levará seu povo, por assim dizer, em comissão com ele; e eles se sentarão e aprovarão o justo julgamento do Senhor. Paulo declara: "Vocês não sabem que os santos hão de julgar o mundo? [...] Vocês não sabem que haveremos de julgar os anjos?" (1Co 6.2,3). Certamente, se não fosse a Palavra de Deus que afirmasse isso, essa idéia pareceria incrível, e a idéia, arrogante. [...] Assim serão os santos honrados, e "os justos triunfarão sobre eles" (Sl 49.14) pela manhã. [...]

Regozijem-se, portanto, ó santos, mas fiquem atentos e segurem firme aquilo que vocês têm até que o Senhor venha. [...] Sigam o seu caminho, fiquem próximos de Deus e esperem até que sua transformação ocorra, e até que esse fim aconteça. "Você descansará e, então, no final dos dias, você se levantará para receber a herança que lhe cabe" (Dn 12.13).

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