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5 de dez de 2009

Ouvindo a voz de Deus - A. W. Tozer


A sensibilidade espiritual não é uma qualidade isolada; pelo contrário, é mais um conjunto de qualidades, uma mescla de diversos elementos dentro da alma. Trata-se de uma afinidade, de uma tendência, de uma reação favorável, de um desejo de alcançar o mundo espiritual. Disso se conclui que ela pode existir em diversos graus, que podemos possuí-la um pouco mais ou um pouco menos, dependendo exclusivamente de nós mesmos. Pode crescer através do exercício, ou pode definhar pela negligência. Não é uma força soberana e irresistível que nos sobrevém de momento. Realmente é um dom de Deus, mas que deve ser reconhecido e cultivado como qualquer outro dom, para que possa cumprir o propósito porque nos foi dado.

O fato de esta verdade não estar sendo compreendida causa muitas e sérias falhas entre os evangélicos de hoje. A idéia de se cultivar e exercitar a receptividade espiritual, tão importante para os santos da antiguidade, atualmente não tem mais lugar no quadro geral da nossa vida cristã. Geralmente consideramos esse processo muito lento e simples demais. Queremos uma ação mais rápida. Uma geração de crentes que cresceram apertando botões e lidando com máquinas automáticas, impacienta-se perante métodos mais lentos e menos diretos para atingir os seus alvos. Temos procurado aplicar os métodos mecânicos de nossa época às nossas relações com Deus. Lemos um capítulo da Bíblia, temos um breve momento devocional que logo encerramos afobadamente, e procuramos preencher nosso vazio interior indo a uma reunião evangélica ou ouvindo mais uma história emocionante, relatada por um aventureiro religioso, que tenha acabado de acabado de voltar de algum lugar distante.


Os resultados trágicos dessa atitude são visíveis. Vidas artificiais, vãs filosofias religiosas, cultos evangelísticos em que a preocupação é uma programação agradável, a glorificação de homens, a confiança na aparência religiosa, em associações religiosas sem qualquer realidade espiritual, o emprego de métodos seculares na vida da igreja, falta de discernimento entre a personalidade dinâmica e o poder do Espírito: essas e outras coisas parecidas são os sintomas de uma horrível enfermidade, de uma profunda e grave enfermidade da alma.

Quando do céu Deus falou ao Senhor Jesus, muitos homens que ouviram a voz explicaram-na como sendo fenômenos naturais. Diziam ter ouvido um trovão. Esse hábito de apelar às leis naturais para explicar a voz de Deus é a própria raiz da ciência moderna. Nesse universo que vive e respira, há algo misterioso, por demais maravilhoso, por demais tremendo para que qualquer mente o compreenda. O crente não exige explicações, mas dobra os joelhos e adora, sussurrando:”Deus meu!” O homem mundano também se inclina, mas não pode adorar. Inclina-se para examinar, para pesquisar, para descobrir a causa e o funcionamento das coisas. O que ocorre é que estamos vivendo na era secular. Estamos acostumados a pensar como cientistas e não como adoradores. Sentimo-nos mais inclinados a pensar do que a adorar. “Foi apenas um trovão!” exclamamos nós, e continuamos levando uma vida mundana. Contudo, a voz divina continua ecoando, chamando. A ordem e a vida do mundo dependem totalmente dessa voz, mas os homens estão por demais atarefados ou são teimosos demais para dar-lhe qualquer atenção.

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