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28 de ago de 2009

Como pode o jovem saber se é vocacionado ou não? - Charles H. Spurgeon / John Newton



Em resumo, creio que a questão inclui principalmente três coisas:

"1. Um ardente e intenso desejo de empregar-se neste serviço. Entendo que o homem que uma vez foi movido pelo Espírito de Deus para este trabalho, irá preferi-lo, se lhe for acessível, a tesouros em ouro e prata. Assim é que, embora às vezes intimidado pelo senso da importância e das dificuldades do trabalho, comparadas com a sua grande insuficiência pessoal (pois é de presumir-se que um chamamento desta natureza, se realmente provém de Deus, será acompanhada de humildade e de auto-humilação), ele não poderá abandoná-lo. Afirmo que uma boa regra é indagar, neste ponto, se o desejo de pregar é o mais fervente nos centros vitais da estrutura do nosso ser, e quando estamos mais prostrados no pó perante o Senhor. Se é assim, é bom sinal. Mas se, como às vezes se dá, a pessoa está muito ansiosa por ser um pregador para outros, embora não exista em sua própria alma uma fome e uma sede da graça de Deus, então, é de temer que o seu zelo promana de um princípio egoístico, e não do Espírito de Deus.

"2. Além desse apaixonado desejo e prontidão para pregar, é preciso que, no devido tempo, apareça alguma com¬petente aptidão quanto a dons, conhecimento e elocução. Segu¬ramente, se o Senhor envia alguém para ensinar outros, suprí-lo-á dos meios necessários. Creio que muitos que se fizeram pregadores, o fizeram com boa intenção; todavia, foram antes de receber ou ultrapassaram a vocação deles ao agirem assim. A principal diferença entre um ministro e um cristão sem vocação especial, parece consistir naqueles dons ministe-riais comunicados àquele, não para o seu próprio interesse, mas para a edificação de outros. Mas digo que estes dons devem aparecer no devido tempo. Não se deve esperar que surjam instantaneamente, mas de forma gradual, no uso pró¬prio dos meios. São necessários para desempenhar o ministé¬rio, mas não são necessários como requisitos que assegurem os nossos desejos quanto a ele. No seu caso, você é jovem e dispõe de tempo. Daí, penso que não precisa perturbar-se querendo saber se já tem esses dons. Se o seu desejo é firme e se quiser, basta esperar no Senhor por eles, por meio da oração e da diligência, pois você ainda não precisa deles.1

"3. O que finalmente evidencia um chamamento genuíno é uma correspondente abertura na providência, mediante uma série gradativa de circunstâncias que apontem para os meios, a ocasião, o lugar de entrar de fato no trabalho. E até que chegue esse ponto de coincidência, não espere estar sempre livre de hesitação em sua mente. Nesta parte do assunto, a principal cautela consiste em não ser apressado em agarrar os primeiros indícios que aparecem. Se for da vontade do Senhor introduzi-lo no Seu Ministério, Ele já designou o seu lugar e o seu serviço, e embora não o saiba no presente, sabê-lo-á no devido tempo. Se você tivesse talentos de anjo, não pode¬ria fazer muita coisa boa com eles enquanto não chegasse a hora de Deus e Ele não o levasse às pessoas que determinou a abençoar por seu intermédio. É muito difícil restringir-nos aos limites da prudência neste ponto, quando o nosso zelo é ardoroso. O sentir o amor de Cristo em nossos corações e a terna compaixão pelos pobres pecadores propendem para fazer-nos irromper cedo demais; mas quem crê não se preci¬pita. Fiquei cinco anos sob esta compulsão. Às vezes achava que devia pregar, mesmo que fosse nas ruas. Dava ouvidos a tudo que me parecia plausível, e a muitas coisas que não o eram. Mas o Senhor misericordiosamente, e como que insen-sivelmente, cobria de espinhos o meu caminho. Do contrário, se eu fosse deixado entregue ao meu próprio espírito, eu teria me colocado fora da possibilidade de ser introduzido numa esfera de serviço proveitoso como esta, à qual aprouve a Deus guiar-me no Seu tempo certo e bom. E agora posso ver clara¬mente que, na época que queria sair a campo pela primeira vez — embora a minha intenção fosse boa, acredito — eu me superestimei, pois não possuía aquele discernimento e experiência espiritual indispensável para tão grande serviço".

Extraído do livro: O CHAMADO PARA O MINISTÉRIO de C. H. Spurgeon
Editora PES: http://www.editorapes.com.br/default.asp

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